Sufoco virtual...

Autores: Euna Britto de Oliveira

Ouço barulhos de salvação. O marasmo, sim, seria a morte. Ouço barulhos de salvação: Brocas, pás, picaretas, motores em funcionamento Exclamações de gente!!!... Dores pungentes me traspassam o peito. A ilha contra o oceano O marisco contra o rochedo Brutus contra César... Há puxões dos que me salvam Do fundo do poço De dentro dos escombros Ainda que invisíveis... Arriscam-se pra me retirar De onde não se sai sozinho. E não é qualquer um que pode fazer resgate. É preciso técnica ou fica lá também. Não quero sacrificar ninguém! Ouço barulhos de salvação. Trago arranhões, machucaduras em razão de Violentos esbarrões contra a parede! Mas nenhum osso se quebrou. Hei de ser justa?... Justo é só Deus! É misericórdia mesmo! O trabalho ainda vai apertar mais. A retirada é difícil. Asfixio-me... Um tubo fino me traz oxigênio. À ponta de uma vara, um copo d´água amarrado. O Gênio de Deus se derrama sobre os ingênuos... Um helicóptero paira sobre mim... Semelhante ao médico que me retirou Do útero da minha mãe, Um homem com roupa de Exército Iça-me, extrai-me do poço, dos escombros Para uma nova vida! Aqui mesmo! Em Paz! E na Terra!... Sufoco virtual... Se nada disso aconteceu, de verdade, Menos mal! Só uma simulação de sensação real...

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