DISSIPAR-ME

Autores: Juliana Valis

DISSIPAR-ME
Queria apenas dissipar-me Em mais de mil átomos de inexistência E fundir no sol o verso desse alarme Sempre imerso em minha vã demência Como se a fluência do vento me fuzilasse Sem amor, sem sombra, neste impasse Queria apenas dissipar-me E ver que o mar apenas leu meus versos E fez de mim um sonho além da carne Assim, no sublime amor dos universos, Além da tristeza que vem e que me invade Além da incerteza em vácuos tão dispersos Não, não queria existir, mas já é tarde, Não queria respirar, além do vento, Nesta chama que me fere e tanto arde Céus, quem criou o sofrimento ? Sim, quero apenas dissipar-me E não mais ver a estupidez do mundo Sem voz, sem vez, no alto alarme Que toca a insensatez do verso mais profundo, Pedirei um guincho para levantar-me E, assim, jogar-me na foz que, no infinito, inundo.

-------------------------------------------------------------------------------------------------------------- Juliana Valis Brasília/DF - Brasil, 22 anos Colaboradora do Site para Escritores: www.recantodasletras.com.br

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