Poesia molhada...

Autores: Euna Britto de Oliveira

Poesia molhada de rios, de mar De beijos... Poesia que a ventania esparrama na minha cama E deixa palavras soltas Saltadas do coração Puladas da embarcação Que é o meu ventre vazio... Poesia passada a limpo Guardada, do meu garimpo. Deito por cima de umas palavras E a poesia deita por cima de mim! Foge-me o contrário de sono. Sou boa de sonho, durmo. E, no que durmo, Viajo... Viagens maravilhosas!... Vou à Paraíba Ver rastros de dinossauros. Pisaram pesado! Marcaram o chão!... Carne de dinossauro, Ninguém nunca comeu, não. Não havia ninguém, Ao tempo dos dinossauros. Só eles! Os herbívoros comiam ervas. E os carnívoros, Comiam o quê? Comiam quem, Se não havia ninguém?... Não havia ninguém, Nem pra fazer poesia pra eles!... A poesia ainda estava congelada. Glacial.

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