Minha Nave

Autores: Euna Britto de Oliveira

Paranapiacaba, Paranapanema, Paranaguá... No Colégio, tive de estudar essas serras todas, Sua localização, altitude, seu perfil... Mas nunca fui lá. Péra aí! Em alguma dessas serras brasileiras existe a orquídea rara Que não nasceu no Himalaia? Hoje, visito alturas! Sobrevôo os Andes Ando em sua neve que nunca vi. Dou-lhe as costas E volto aos Alpes. Lá, sim – lá, já senti frio no corpo e calor na alma!... Vestida adequadamente, Piso a neve fofa da montanha E afundo até os joelhos! Delícia!... É Zermatt. Há instrutores, o pessoal pratica ski, Eu, não. É difícil esquiar. Além de não saber, Estou grávida, de seis meses... Quedas devem ser evitadas, E aprender ski faz cair muito!... Puxa, como caem os aprendizes de ski!... Aliás, os aprendizes de qualquer coisa Caem muito, Mesmo quedas virtuais... Estou falando desta vida mesmo, Mas de outro tempo. Fizeram xixi na neve e eu penso que alguém derramou Fanta laranja... O contraste é o mesmo Do que seria Se fosse o amarelo da Fanta derramado Em jato Sobre a neve branca, de doer os olhos!... Folha de papel em branco também é neve Onde derramo palavras de todas as cores!!!... Onde coloco milhares de minutos já vividos e Quilômetros percorridos... Folha de papel em branco é minha nave. Viajo... O meu site é verde claro O meu site é verde, claro! Ele é minha campina verdejante onde passeio, A cavá-lo, a escavar-me... Nele, desembarco, na medida do possível, Palavras passageiras da minha nave...

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