Desassoreamento

Autores: Euna Britto de Oliveira

Havia canais que alimentavam a lagoa, Ela nunca secava. Havia sempre peixes, taboas e húmus Em suas márgens férteis. Havia sapos, é claro. Toda lagoa tem sapos. Eram quase inofensivos, Com seu coaxar incomodativo E seus saltos sugerindo sobressaltos!!!... Mas não impediam as borboletas, de um amarelo liso Ou azuis, de olhos pretos estampados nas asas, De sobrevoarem as águas... Muitos foram os ciscos que entupiram o último canal, Que se fechou por completo Com o sujo de um jogo sujo! O lugar da lagoa virou cratera árida e sem vida. Mas Deus teve pena e sentiu saudades Daquela lagoa linda Que num momento de eternidade Ele havia criado!... Soprou, o canal principal se abriu... Depois, abriu-se um canal secundário, Depois outro, depois outros... Porque onde Deus passa, nada embaraça! E todos os caminhos se abrem... A água começou a se juntar, Os peixes – já tem peixes nadando!... E tudo volta ao normal! Parece que o canal ficou mais largo Parece que a lagoa vai ser lago!

-------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- BH – 31-03-1980

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