Horizontes

Autores: Euna Britto de Oliveira

Horizontes
Deus quer ver Quem é capaz de louvá-lo até no fundo do poço!... Posso dizer “mea culpa”, Mas “sursum corde” é difícil, Meu coração vai a pé E quer mais Fé! Segue comigo a multidão não recenseada. Pó e pá. Dói no fundo do mar, No interior da concha, A ostra invisível, Porque sabe que o mergulhador Vai lhe arrancar a pérola e a vida! Quisera ter asas para voar E nada para contar, para enumerar. Os números determinam mais nossa vida do que as próprias palavras. São eles próprios as mesmas noções Em todas as nações, em diferentes palavras... É de número nossa idade, nosso poder aquisitivo, Nosso tempo, nosso espaço, As distâncias das coisas boas ou ruins E toda e qualquer duração... Passo um pano úmido sobre minha fronte E não consigo limpar certas lembranças, Certos acontecimentos. Parece que comi das dores do mundo, Minha cabeça pesa, Minha cabeça pensa, Tensa e mal dormida. — “As flores não existem mais”, diz Dulce, Ao se lembrar dos copos-de-leite que não vê, faz tempo! Eles cresciam em lugares úmidos e enfeitavam as jarras... Hoje, chorei copiosamente... Novos horizontes aparecem em olhares úmidos. Humildemente obedeço à minha certidão de idade. Passo Fico Pacifico Sou Estou... O que restar, restou!

------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- "Sursum corde" - Expressão latina que significa "Corações ao alto"

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