Que os Anjos Digam Amém!...

Autores: Euna Britto de Oliveira

Que os Anjos Digam Amém!...
Vindas da memória, Imagens e a história de umas viagens... Contorno a serra do Mar com botas falsas, De lama do mangue. Devo fotos a tanta gente!... Neste exato momento, Preciso de gente, urgente! Mas só tenho fotos. Misturadas, desarquivadas, Não encontro a foto misteriosa Que é só mistério por enquanto. Há mistérios com data de validade E há mistérios para a eternidade... Compreendidos, não são mais mistérios. Acessados, cessam! Fogo, fumaça, Operação de rescaldo, Bombeiros cansados, Extinto o incêndio. O avião que ouço voar agora Levará quem?... Inofensivo mistério que não preciso desvendar. Ou não seria mistério, Apenas curiosidade? Um som sobre a cidade, De passagem, Com decibéis quase intensos E depois imperceptíveis... Outro avião! Passageiros não faltam. Passageiros como todos nós, Mesmo se não compramos passagens... Nosso corpo é nossa nave. O resto é entrave. Varamos o tempo Como o avião vara o ar... Nossa vida tem destino. Vestimos asas que ultrapassam o tempo. Quanto mais leves, Mais breves! A vida é densa e é sutil... Que todos cheguem bem a seu destino! Nem tudo é como eu quero, Mas a esse meu desejo Que é para todos os aviões Que os Anjos digam Amém!

BH - Escrito em agosto de 2004 Transcrito em 05 de julho de 2006

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