Perfumes

Autores: Euna Britto de Oliveira

Perfumes
Por um momento, a realidade abre mão de mim. Rendo-me à fantasia, que também é de Deus, uma espécie de anestesia... Só não posso é abusar... Pecado é o abuso do bom e tem um preço! Gosto de sentir os cheiros da natureza, das folhas, mais que das flores; das flores, mais que das frutas... Escolho a folha pelo nome: Alfazema, alfavaca, alecrim, arruda, hortelã, manjericão, erva-cidreira, capim santo, patchuli, cravo e canela... Uma vez, queimei-me com uma folha anônima... Escolhi pela pequenina flor em forma de estrelinha branca, quando reunia flores do campo para colocar no vaso. Traição! Até interrompi o buquê! A planta era cansanção... Com as urtigas, tenho um pé atrás... Há cheiros que são perfumes... E o cheiro da gasolina do carro em que a gente aposta?!... Da roupa suja de sal do nome que a gente gosta?!... A fantasia me tange, a realidade me constrange... Para viver, em vez de esfriar, aspiro, inspiro, respiro... Conforme a hora, suspiro...

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