Carro de boi

Autores: Euna Britto de Oliveira

Carro de boi
Dizem que boi sonso, a marrada é certa!... Dois bois castanhos e mansos Puxam um carro supostamente carregado de cana, Mas, na verdade, é saudade que transportam, São saudades superpostas... Verde e súplice, um louva-a-deus equilibra-se Na lembrança de uma folha de capim, Numa curva do caminho... Viajar em carro de boi é lento e lúdico!... As rodas vão moendo as distâncias E produzindo um som que não chega a ser música, Mas agrada. O arranjo do instrumento improvisado pelas rodas É mais que medieval, Ancestral... Conforme a estrada, pequenos solavancos Embalam eventuais passageiros. Submissos, debaixo da canga, Seguem os bois pela paisagem... Lambem o sal do cocho, Sacodem a cauda e as orelhas, para afugentar as moscas... É dia de vacinação, Bate a cancela, Fecha-se o curral. Fecha-se um ciclo em que se fazia tudo igual!... Agora é hoje, Ontem foi seu rival, E o futuro é pontual!... Comecei em cavalo manso, Andei em carro de boi, para, enfim, Ganhar estradas Em rodas mais turbinadas... Ô paciência de Deus! Quantas camadas de magma para fazer uma montanha?!... A montanha que eu, eterna escolar, Bem devagar, devo aprender a escalar!...

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