Princípio do Vácuo

Autores: Euna Britto de Oliveira

Princípio do Vácuo
Há várias maneiras de minha arte não dar certo. Uma delas É sem você por perto!... Olhos fechados, Vejo uma planta que nunca vi, Porque não existe. Nasceu na minha imaginação. Tem folhas duras como as da bromélia E não é bromélia. De um verde claro, Cor de cana... Está num vaso grande de cimento, Redondo e quase branco. Perto dela, eu e você, Num banco. Sei que é você, mas não o vejo. Nem a mim mesma eu vejo. Sinto-me. Sinto-o. Brinco sem você Mas não vivo sem você. Ou então, vivo sem você, Mas não brinco sem você... Se não aparece, eu o invento. Tenho a forma de você feita no vento!... Quem é você? Não sei quem é Não sei onde está Só sei que me falta. E onde há falta, É porque existe o que completa! Mas somos “chics” – não temos "chips" Que facilitem o reconhecimento De um pelo outro.... Como fazem com os golfinhos Ou com os pássaros raros E animais em extinção... Temos de nos descobrir Pela Lei da Afinidade. Muito mais do que aparelhos, Somos almas... Gêmeas.

Belo Horizonte, 18 de maio/06

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