Coleção de sementes

Autores: Euna Britto de Oliveira

Coleção de sementes
Desgosto e desgaste, o primeiro é pior. Como soldadinhos de chumbo, foram todos derrubados, os que morreram... A tinta fresca cala a boca das paredes que têm coisas graves pra contar, gravadas... Acaba de viver ou acaba de morrer querem dizer a mesma coisa. A moça bonita está usando marido francês. Minha mão tem tantas linhas!... Pena que eu não saiba ler! Entre oito e oitenta, quarenta! Descrevo um sentimento, descreio. Em vão, tento recriar o recreio que a sua presença fazia dentro de mim. Recuo e sigo minhas próprias pegadas, na tentativa de reencontrar o que foi felicidade... Eu fiquei comum, você ficou comum, viramos lugar-comum. Êh, vida!... Não somos feitos à prova de desencanto. Agora, cultivo acanto. Vou até ver se a mudinha de acanto que ganhei na Europa pegou! Dará espinhos, sim! E flores!... Dará folhas que inspiraram a um arquiteto a ornamentação das colunas sagradas dos templos de Atenas... Não sou uma mulher sem poesia, mas estou sem música!...

Comentários

Ainda não há comentários.