Observação
Autores: Euna Britto de Oliveira
A última vez que estive em um cemitério,
vi que em certas inscrições sobre as lápides
as datas de nascimento e morte eram tão próximas!
Vidas tão curtas, de crianças...
E eu, pensando em Aposentadoria!...
Vi coveiros jovens, até bonitos!
Vi seus méritos, enterrando desconhecidos,
para o que são pagos.
Mas ainda há o pago de Deus!
Vi o que ninguém quer ver:
A Morte.
Vi a rigidez de quem ontem mesmo me cumprimentava a sorrir,
e caminhava rápido, a servir!...
Coberto de filó e flores,
daqui a pouco será só memória...
Que coleção de casos sobre a terra
são todos os cemitérios!!!...
Pensar que no lugar onde hoje há túmulos
um dia houve choro e lágrimas
ajuntamento de pessoas
motivos
causas
efeitos
perfeições
defeitos
solidariedade
compaixão
mãos dadas
ombros amigos
orações...
Eternidade...
Pensar que as honras do choro e das flores são apenas por
um dia,
por uns dias...
Depois, a rotina:
Nascimentos
casamentos
formaturas
festas de aniversário...
A luta por um lugar ao sol!
Resoluções!...
Consolações...
E a morte, indiferente, absoluta,
ceifando outras vidas
com sua guilhotina!...
Velas, rezas...
Rezai pelas Almas Benditas!
Por todas elas!!!...
Somos frágeis
quebráveis
inflamáveis...
E, no entanto,
na maioria das vezes
duramos tanto!...
Saul Martins tem razão!
Há um mistério em tudo isso!
Mistério de Deus.
Como se explica que ele tenha nascido de 6 meses,
pesando 750 gramas,
criado no seio da mãe,
que o aninhava com sua anágua
enquanto trabalhava...
Seu berço era uma caixa de sapatos nº 38,
número que sua mãe calçava...
Ele não apenas sobreviveu!
Viveu, vive muito bem!
Continua vivendo a vida que Deus lhe concedeu!...
Hoje, aos 87 anos de idade,
com um "curriculum vitae" invejável,
olha para trás e verifica, ratifica
que nunca, nunca,
nunca adoeceu!
Se soubessem o seu segredo... hein, Saul?
Posso contar?
Vou contar!
Vendo uma vida tão pequenina aos seus cuidados,
o corpinho inacabado,
a pele tão fina que deixava transparecer as vísceras...
Sua mãe chegou diante do oratório de Nossa Senhora e,
introduzindo dentro do oratório o "mini-menino",
se é que posso assim dizer,
com licença do hoje
Grande Saul Martins,
falou para Ela:
—"Os outros filhos, eu crio.
Este, quem vai criar é a Senhora!..."
Deu-o por Afilhado a Nossa Senhora.
E você foi tão bem criado
por sua Madrinha e por sua Mãe, Saul!...
Louvado seja Deus!!!...
------------------------------------------------------------------------------------------------------------- Belo Horizonte, janeiro de 1991 -------------------------------------------------------------------------------------------------------------- Transcrito em 21/03/2006