Ínsula

Autores: Euna Britto de Oliveira

Uma cama feita de folhas, coberta com um pano branco, serve de leito vazio para o meu próximo pranto... Chorarei lágrimas lentas ao sul do Equador!... Coarei café sem doce para tomar bem cedinho, antes que o coração se desarme e desame a vida como se desama a dor. O mundo amanhecerá outra vez, mas nem todos amanhecerão com ele... Mais que genealógica, a árvore da vida é sem lógica. Há um rodízio de nascimentos e mortes entrelaçado de sortes, entremeado de cortes, não sei se com datas marcadas para começo e fim, encantos e desencantos, encontros e desencontros, recomeços... Jantarei à meia-noite. Já vão servir o jantar, com tudo a que tenho direito. Se existe o que não é perfeito, é para aperfeiçoar o que será perfeição. A tinta vermelha e quente que esguicha do coração é pingo doce que pego de um doce pingo de gente no teste para injeção... Respinga no meu caderno, em forma de mais uma canção... Atento, resmunga o demônio, ao ver tanta proteção! Apesar de tudo, vivemos, sonhamos, vestimos cores alegres, cantamos e até dançamos porque há quem nos ampare e conduza com Sua mão!... Não estamos aqui de atrevidos, temos Dons, temos Dono, que deu autorização!

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